sexta-feira, 11 de abril de 2014

O Fim de um Sonho?




Envolto na memória do dia,
Desci ao coração da cidade,
Onde encontrei olhos sem alegria,
E semblantes sem felicidade!

Então meditei, apreensivo,
No porquê daquele ar medonho.
E quais as causas e o motivo,
Porque as pessoas não creem no sonho,
Quando ainda ontem seguravam cravos e rosas,
Cuja fragrância era uma imensa esperança,
Para todas as pessoas da global Cidade,
Que ali encontrei, descrentes,
A olharem para as estátuas das avenidas,
Que presenciaram, complacentes,
O grito de alma das suas vidas.
Cheias de esperança num provir que se esvaeceu,
Como as notas musicais da Lyra de Orfeu…

Como o testemunhava o estudante,
Que meditava, sentado na esquina
Da movimentada avenida, errante,
Abraçado à sebenta, à capa e à batina.

Ou o idoso, cansado da escravidão,
Que ostentava um cartaz no peito,
Onde pedia esmola, com respeito,
Para enganar a dor da sua solidão.

E foi então que pensei:
Mataram o sonho desta gente!
E mais atentamente reparei
No arrulhar de um pombo, ali presente,
Ao levantar voo para o telhado da igreja,
Onde uma gaivota ferida,
Grasnava de asa partida.

E próximo da emoção,
Retirei-me com necessidade
De respirar novos ares de mudança.
Porque tudo parecia morto na Cidade,
Excepto o querer da minha esperança.
Porque essa, podem crer,
Será, em mim, a última coisa a morrer!


Abril de 2012

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Sonho



Não deixem morrer o sonho,
Porque se tal acontecer,
O pesadelo será medonho,
E todos se vão arrepender!


    
Abril 2014


quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Beijo


O beijo que me pediste,
Foi na face que to dei.
O beijo que te quis dar,
Foi nos lábios que guardei.
             
O beijo que te roubei,
Não foi dado, foi roubado.
Mas porque foi o primeiro,
Ficou no peito gravado.



Publicado no livro "Passagens e Afectos" - Tartaruga

domingo, 23 de março de 2014

A água é da Humanidade!


Se eu não fosse temente a Deus,
Perguntava-Lhe, humildemente:
Senhor, porque são os filhos teus,
E sempre os mais pobres e aflitos,
A pagarem benesses aos ricos?

Sim, perguntar-Lhe-ia eu:
Porque são sempre esses,
A pagar a tanto figurão,
Cercado de mordomias,
Que vive do alheio, todos os dias,
Sem haver para isso uma razão?

Penso nisto, Senhor,
Do fundo do meu coração,
E creio que não esteja bem.
Porque há os que não têm o coração no peito,
Mas sim na palma da mão, onde lhes dá mais jeito…

E a minha mágoa aumenta de dureza,
Quando um Elemento da Natureza,
Como é a Água, possa ser oferecido,
Sem razão nem sentido, a cidadãos
Que juram que ela, em suas mãos,
Vai ser tratada e distribuída com equidade,
Na plenitude da liberdade! 

E dizem mais, esses malabaristas.
Dizem que os surfistas,
Terão sempre as ondas do mar,
Para surfar.
E que nos campos golfistas,
Não faltará, também,
A água dos lençóis freáticos,
Guardada no ventre da Terra-Mãe,
Há milhões de anos,
Para poderem praticar o golfe, 
Com arte e sem enganos...

Enquanto dizem ao povo humilde,
Que a chuva é, de facto, uma dádiva de Deus!...
Mas que não tenham receio de ficar sem água,
Porque eles tomarão as medidas necessárias,
Normais e extraordinárias,
Gastando os seus dinheiros,
Com sábios, técnicos e engenheiros,
Para que a água não falte no mar,
Nem nos rios, nem nos ribeiros...

Tão poluídos que estão eles e o ar.
Coisa que não querem que aconteça,
E, por isso, a água deve ser sua pertença,
Porque são eles que a sabem cuidar…

Ora, Senhor, isto custa-me a suportar,
Sem que se opere em mim uma revolta, sem fim,
Que me faz desesperar.
Ao ver tamanha desfaçatez,
Que me provoca, por sua vez,
Uma mágoa que não passa.
Porque a água, Senhor,
Dá-La Tu, a todos, de graça!
E, por isso,
Deve ser de toda a Humanidade.

E por todos repartida,
Com amor e equidade,
Porque sem água não há vida,
E sem vida não há Humanidade!

Mas, Senhor,
Fazer compreender isto ao agiota que passa,
Só com a Tua divina graça.
Porque ele quer tudo,
Sem se importar com a desgraça,
Dos desprotegidos da raça humana.

E pior que tudo isto, Senhor,
É ele pensar que até a Ti engana!...
 


22 de Março – Dia Mundial da Água

sexta-feira, 21 de março de 2014

Escrever Poesia...


                                                     

Então, pego numa folha de papel,
E começo a escrever Poesia,
Absorto nos pensamentos,
Alheado da fantasia.

Escrevo uma página inteira.
Depois, escrevo outra, e outra...
Tantas páginas a escrever!
Como se o mundo não existisse,
Nem eu fizesse parte dele.

Acordo já noite avançada,
E então leio e medito:
Que Poesia posso eu escrever,
Que palavras posso eu dizer,
Que outros não tenham dito?

Sim. Que posso eu poetar,
Que os Poetas não tenham escrito?
Que posso eu, pobre coitado,
Emprestar à Poesia,
Que os Poetas não tenham cantado:
A Mãe e o Amor; as Estrelas e o Mar;
A Família e os Amigos; a Lua e o luar;
A Guerra e a Paz; os Mártires e os Heróis;
A Sorte e o Azar; a Vida e a Morte;
O Céu e a Natureza; a Vileza e a Palavra honrada;
A Morte e a Dignidade; o Amante e a Amada;
O Velho e a Criança; a Fé e a Esperança;
O Pecado e a Justiça; a Diligência e a Preguiça...

Enfim,
Já tudo foi escrito e dito,
Cantado e poetado,
Sem ser por mim,
Sem se gastarem as palavras.

Então que posso eu dar à Poesia,
Que outros não lhe tenham dado?

Mas depois pensei comigo assim:
Ah!, já sei, dou-lhe o meu coração.
Porque esse, ninguém lho pode dar por mim!

               Livro “ O Acordar das Emoções” - Tartaruga               

quarta-feira, 19 de março de 2014

O Amor de Pai




O Pai é aquela outra Mãe,
Sem útero nem placenta,
Que com o seu suor alimenta
Os filhos, a quem quer bem.  

Ah!, como me lembro do meu,
Quando me lançava ao ar,
Como se eu fosse um anjo alado,
A sorrir para ele e a brincar,
No seu peito, tão amado.

Por isso, Pai,
Eu gosto muito de ti.
E imagino-te no Céu,
Onde lês este poema meu.

Poema que li aos teus netos,
Aos quais também fiz igual.
Para mantermos despertos,
Os afectos do amor paternal.

Amor belo e profundo,
É o amor paternal.
Que não há maior no Mundo,
E só os pais têm para dar.