quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A Arte! (Uma visita à Exposição Joe Berardo no CCB)


 
Oh!, Arte, arte,
Para onde quer que eu vá,
Vejo-te em toda a parte,
Sinto-te a todo o momento:
Na forja do ferreiro,
Que a trempe forjou;
Na flauta do pastor,
Moldada com seixos da Lua;
Num cepo de água,
Onde me sento a meditar,
Na sombra do pensamento.

E até em esconsos
Ateliers de Artistas
Na arte de moldar o sonho.

Ou em telas pintadas,
Com olhares de pintores (su)realistas,
Visionários escultores,
De fantasias (in)completas,
Onde a arte descansa,
De pernas abertas,
E olhar enviesado,
Com saber e Arte.



Publicado no livro: "O Acordar das Emoções" - Tartaruga Editora





O poeta na madrugada





Os campos na minha terra,
São como jardins floridos.
Em dias de primavera.

Na madrugada,
Canta a cotovia.
E com o seu cantar,
Enche os campos de alegria.

E o verde dos seus prados
Ao raiar do sol nascente,
Deixa o poeta contente.

E um poeta com espaço,
Canta consigo na alma.
Enleado num abraço.

Abraça-me, ó madrugada.
Porque um poeta em ti,
Não necessita de mais nada.




Livro: "O Clamor dos Campos" - Edições Colibri



   

domingo, 20 de julho de 2014

Filosofando…

Se o mundo se modifica,
E eu não o acompanho,
É ele que não se petrifica,
E sou eu que fico tacanho...

Queria tanto interrogar-te, ó mar!


Ó abençoado Mar!
Coisa tão generosa como tu,
Só a Terra- mãe,
Que te embala num abraço,
Como se fosses uma criança terna,
A brincar no seu regaço.

Pudesse eu cantar uma Ode tua,
E ouvir os murmúrios que segredais,
Tu e a tua amiga Lua,
Quando na praia vos encontrais.
Mas deixa que te pergunte uma coisa:
Porque soltas tufões em guerra,
Que causam sofrimento à mãe-terra,
Em oposição à generosidade e cuidado,
Com que alimentas os seus filhos,
Com o teu peito anafado?

Por isso, terno e doce mar salgado,
É com profundo respeito,
Que te peço que descanses no teu leito,
Sereno e sossegado,
E aceites os meus agradecimentos,
Pelas alas que abriste aos Portugueses,
No seu feito, epopeico, dos Descobrimentos.

E sobre isto,
Queria tanto interrogar-te, ó Mar!
Para saber o que é feito desses bravos mareantes
Que sepultaste no teu leito, sem cessar,
Onde jazem, esquecidos e distantes,
Longe do torrão sagrado, à tua beira plantado,
Onde mães e namoradas os foram esperar,
Em manhãs de nevoeiro, e noites de preia-mar,
E eles não regressaram, para elas os beijar!



              (Poema a publicar no meu próximo livro de poesia)