sábado, 30 de maio de 2015

O colo da minha mãe



 
Mãe, o teu colo era tão doce e acolhedor,
Quando me sentavas nele,
Com o primeiro dentinho a despontar,
E sorrias para mim, cheia de amor!
Depois, embalavas-me junto ao teu coração,
E fazias-me carícias dizendo baixinho:
“Que menino bonito tem a sua mãe,
Que já sorri para ela e a conhece bem!…”

E eu olhava para ti, sorridente,
E agarrava no teu dedo mindinho,
E levava-o à boca, ao meu dentinho,
Com gestos que eram, estou certo,
O universo do meu mundo secreto…

Mundo que te dava a conhecer,
Com as minhas mãozinhas, a esbracejar,
E com o meu primeiro palrar… 
Quando tu beijavas os meus olhos sonhadores,
Que fixavam os teus, até que adormecia,
Candidamente, sorridente e feliz. 

Eu sei que era assim que acontecia,
Minha querida mãezinha, 
Porque é o coração que mo diz. 


    Livro: "Memórias a Divagações" - Poética/Edições 

domingo, 3 de maio de 2015

Os teus olhos, minha mãe…





Os teus olhos, minha mãe,
Nunca estavam tristes,
Quando falavam comigo!

Nem mesmo se as lágrimas se soltavam,
Para esconderem mágoas do coração,
Eles perdiam a luz que as estrelas lhe invejavam.

Eram tão lindos os teus olhos, mãe,
Quando falavam com os meus!
Que ambos ficávamos tão felizes,
Como se falássemos com Deus!


          ( A publicar no próximo livro de Poesia)


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Viva o Primeiro de Maio



 
Hoje é o Dia Primeiro de Maio.
O dia consagrado ao trabalhador.
Assim chamado, sem desmaio,
Por todos aqueles que com amor,
São felizes a laborar noite e dia.
Numa luta, constante e persistente,
Contra o medo e a opressão,
Para darem aos filhos o pão.

Gente valente e abnegada,
Que quase só vive para o labor,
Pelo mísero salário, que lhe paga o seu senhor.
Que é como quem diz,
Trabalha para comer e enriquecer o País.
E mesmo assim, é gente feliz!

Gente que canta, que salta e grita,
Pelas ruas e avenidas da Cidade.
Onde jovens, com uma pandeireta,
E gigantones, com risonha careta,
Se pavoneiam mascarados dos amigos da treta,
Que lhes prometem pão e trabalho.
E depois lhe subtraem a pouca cheta,
Que resta do pequeno salário.
Deduzidos que são,
Os impostos que um certo papão,
Lhes leva sem dó nem compaixão.

Mesmo quando o honesto trabalhador,
No seu Dia Primeiro de Maio,
Lhe lembra que sem o seu saber e labor,
O sonho não passava de um tímido ensaio.

E que a construção das pontes e das cidades,
Ficava para as míticas calendas,
De que tanto nos falam as lendas…

Por isso, aqui deixo o meu louvor,
A todos aqueles que, com alegria e fervor,
Vêem para a rua festejar o dia de quem trabalha,
Na terra, no céu e no mar, até que a vida o consome.
Quantas vezes com sede, com frio e com fome,
Na sua nobre condição de honesto trabalhador!

         ( A publicar no próximo livro de Poesia)