sexta-feira, 1 de maio de 2015

Viva o Primeiro de Maio



 
Hoje é o Dia Primeiro de Maio.
O dia consagrado ao trabalhador.
Assim chamado, sem desmaio,
Por todos aqueles que com amor,
São felizes a laborar noite e dia.
Numa luta, constante e persistente,
Contra o medo e a opressão,
Para darem aos filhos o pão.

Gente valente e abnegada,
Que quase só vive para o labor,
Pelo mísero salário, que lhe paga o seu senhor.
Que é como quem diz,
Trabalha para comer e enriquecer o País.
E mesmo assim, é gente feliz!

Gente que canta, que salta e grita,
Pelas ruas e avenidas da Cidade.
Onde jovens, com uma pandeireta,
E gigantones, com risonha careta,
Se pavoneiam mascarados dos amigos da treta,
Que lhes prometem pão e trabalho.
E depois lhe subtraem a pouca cheta,
Que resta do pequeno salário.
Deduzidos que são,
Os impostos que um certo papão,
Lhes leva sem dó nem compaixão.

Mesmo quando o honesto trabalhador,
No seu Dia Primeiro de Maio,
Lhe lembra que sem o seu saber e labor,
O sonho não passava de um tímido ensaio.

E que a construção das pontes e das cidades,
Ficava para as míticas calendas,
De que tanto nos falam as lendas…

Por isso, aqui deixo o meu louvor,
A todos aqueles que, com alegria e fervor,
Vêem para a rua festejar o dia de quem trabalha,
Na terra, no céu e no mar, até que a vida o consome.
Quantas vezes com sede, com frio e com fome,
Na sua nobre condição de honesto trabalhador!

         ( A publicar no próximo livro de Poesia)




segunda-feira, 23 de março de 2015

A Pastora da Serrania


 
Pastora, linda pastora,
Que amaste a serrania,
Por onde andaste sedutora,
Cantando com alegria.

Os teus amores eram sonhos,
Eram montes, eram fontes.
Eram cheiros, eram frutos,
Na procura de horizontes.

E a tua luz foi o luar,
Pastora, linda pastora,
Tão feliz e encantadora,
Cheia de amor para dar.

O teu perfume silvestre,
Emanava das montanhas.
Suave como ais que davas,
No acordar das manhãs.

E o vento que acariciava
A tua face rosada,
Quando por ti passava
Fazia pausa demorada.

Queria beijar teus lábios,
Acariciar as tuas tranças.
Pastora de sonhos sábios,
E de perpétuas esperanças.

A de um dia encontrares,
Descendo ágil a serrania,
O teu amado para lhe dares
O amor que em ti havia.

Amor virgem e maduro,
Que guardavas no coração, 
Para lhe entregares puro,
Numa hora de paixão.

Pastora, linda pastora,
Que amaste a serrania,
Onde cantaste com amor,
Àquele que não viria.

E o tempo assim levou
Teus sonhos de fantasia.
Mas o teu amor não secou,
Ainda se ouve na pradaria.

     Livro " Passagens e Afectos" - Tartaruga Editora




A água



          
                 
Tudo começou com bafejos no mar,
Soprados por Deus,
Elevados pelo vento ao céu,
De encontro à montanha.
Para se formarem cristais,
Como pérolas de marfim.
Embalando anjos no regaço,
Que lhe ordenaram assim:
- Ide e voai,
Vós sois nuvens,
Que o Criador criou,
E sem água,
O sangue da Terra,
Não existirá vida.
O vosso poder é ilimitado.
Por vosso efeito e acção,
Todos os seres vivos se alimentarão
E o Homem será purificado.

Aqui chegadas,
Regressareis à Terra,
Sob três formas,
Em ciclo constante.
Iniciai-o agora.
Começai a cair,
E saciai a Terra.
A vontade de Deus
Seja feita.

E foi assim,
Com sábia precisão,
Que nesse dia inicial,
Se formou o primeiro arco-íris;
Se viu o relâmpago primordial;
E se ouviu o primeiro trovão.

Livro "Passagens e Afectos" -  Tartaruga Editora