domingo, 3 de maio de 2015

Os teus olhos, minha mãe…





Os teus olhos, minha mãe,
Nunca estavam tristes,
Quando falavam comigo!

Nem mesmo se as lágrimas se soltavam,
Para esconderem mágoas do coração,
Eles perdiam a luz que as estrelas lhe invejavam.

Eram tão lindos os teus olhos, mãe,
Quando falavam com os meus!
Que ambos ficávamos tão felizes,
Como se falássemos com Deus!


          ( A publicar no próximo livro de Poesia)


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Viva o Primeiro de Maio



 
Hoje é o Dia Primeiro de Maio.
O dia consagrado ao trabalhador.
Assim chamado, sem desmaio,
Por todos aqueles que com amor,
São felizes a laborar noite e dia.
Numa luta, constante e persistente,
Contra o medo e a opressão,
Para darem aos filhos o pão.

Gente valente e abnegada,
Que quase só vive para o labor,
Pelo mísero salário, que lhe paga o seu senhor.
Que é como quem diz,
Trabalha para comer e enriquecer o País.
E mesmo assim, é gente feliz!

Gente que canta, que salta e grita,
Pelas ruas e avenidas da Cidade.
Onde jovens, com uma pandeireta,
E gigantones, com risonha careta,
Se pavoneiam mascarados dos amigos da treta,
Que lhes prometem pão e trabalho.
E depois lhe subtraem a pouca cheta,
Que resta do pequeno salário.
Deduzidos que são,
Os impostos que um certo papão,
Lhes leva sem dó nem compaixão.

Mesmo quando o honesto trabalhador,
No seu Dia Primeiro de Maio,
Lhe lembra que sem o seu saber e labor,
O sonho não passava de um tímido ensaio.

E que a construção das pontes e das cidades,
Ficava para as míticas calendas,
De que tanto nos falam as lendas…

Por isso, aqui deixo o meu louvor,
A todos aqueles que, com alegria e fervor,
Vêem para a rua festejar o dia de quem trabalha,
Na terra, no céu e no mar, até que a vida o consome.
Quantas vezes com sede, com frio e com fome,
Na sua nobre condição de honesto trabalhador!

         ( A publicar no próximo livro de Poesia)




segunda-feira, 23 de março de 2015

A Pastora da Serrania


 
Pastora, linda pastora,
Que amaste a serrania,
Por onde andaste sedutora,
Cantando com alegria.

Os teus amores eram sonhos,
Eram montes, eram fontes.
Eram cheiros, eram frutos,
Na procura de horizontes.

E a tua luz foi o luar,
Pastora, linda pastora,
Tão feliz e encantadora,
Cheia de amor para dar.

O teu perfume silvestre,
Emanava das montanhas.
Suave como ais que davas,
No acordar das manhãs.

E o vento que acariciava
A tua face rosada,
Quando por ti passava
Fazia pausa demorada.

Queria beijar teus lábios,
Acariciar as tuas tranças.
Pastora de sonhos sábios,
E de perpétuas esperanças.

A de um dia encontrares,
Descendo ágil a serrania,
O teu amado para lhe dares
O amor que em ti havia.

Amor virgem e maduro,
Que guardavas no coração, 
Para lhe entregares puro,
Numa hora de paixão.

Pastora, linda pastora,
Que amaste a serrania,
Onde cantaste com amor,
Àquele que não viria.

E o tempo assim levou
Teus sonhos de fantasia.
Mas o teu amor não secou,
Ainda se ouve na pradaria.

     Livro " Passagens e Afectos" - Tartaruga Editora