sexta-feira, 10 de julho de 2015

Um Poema para Maria Barroso



                      
Partiste
Maria de Jesus
Calou-se para sempre a tua voz
Amiga suave e calma
Como um raio de luz.
Que descanse no céu
Em paz
A tua alma

Era madrugada
E o céu estava sereno e limpo
Quando as deusas
Sentindo-se sós
No Olimpo
Te reclamaram
Junto delas
Para ouvirem a tua voz.

A voz segura e meiga
De uma deusa dos mortais
Que resoluta
Se juntou a elas
Que a receberam
De braços abertos
E lhe ofereceram rosas
Vermelhas e amarelas.

E Calíope
Lhe rogou que recitasse
Para elas ouvirem  
Sem sacrilégio
Um poema
De Deus e do Diabo
Do seu amigo José Régio.

                  João de Deus Rodrigues
            
                    8 de Julho de 2015

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A Banda d`Além



 
Na memória do tempo,
Caminhando no passado,
Desci ao rio,
Na Banda d`Além.
E onde ontem era suor,
Trabalho e brio,
Hoje paira o silêncio de ninguém.

Nem no eco das veredas,
Outrora percorridas
Com passos ligeiros,
Em noites bem dormidas,
Se fazia ouvir alguém.

Nada.

Tudo era silêncio e frio,
Na Banda d`Além.
De onde, um a um foram partindo,
Todos os que lhe queriam bem.


     Livro: "O Acordar das Emoções" - Tartaruga Editora 



sábado, 30 de maio de 2015

O Lago dos Girinos



 

Abeirava-me do lago,
Pé-ante-pé, com mil cuidados,
Para ver os girinos pousados na minha face.
E eles, com os olhos arregalados,
Abanavam a cauda e olhavam para mim,
E eu olhava para eles, sem disfarce,
Todas as manhãs.
E como o tempo era nosso,
Esperávamos que ele passasse,
Para sermos grandes.
Eu, do tamanho dos homens,
Eles, do tamanho das rãs…

Enquanto na outra margem do lago,
A mãe dos girinos coaxava,
Em cima de um nenúfar branco, 
Virada para o sol nascente.
Que também ele a escutava,
Brilhando, sorridente...

E eu ia cheirar as violetas,
Companheiras do lago,
Feliz e contente.
À espera de ser grande.
À espera de ser gente!  


       Do Livro: "Memórias e Divagações" - Poética/Edições