quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Como és e devias continuar a ser



Tu és um rio velho.
Um rio, muito velhinho!
Que para chegares da nascente à foz,
Tiveste que abrir um duro caminho.

Ora, como se sabe,
A idade é uma fonte de saber.
Um manancial de sabedoria,
Como um livro quando se abre,
Se contém aquilo que se queria.

E assim és tu,
Rio Sabor.

És assim, 
E muito mais.
Tens local de nascimento,
Número de irmãos,
E particulares sinais:
- Comprimento, altura,
Largura, longitude,latitude,
Velocidade da corrente
E volume dos caudais.

E, principalmente,
Tens a admiração de muita gente.

E falta ainda dizer,
A quem não saiba,
E queira saber,
Que nasces em Espanha
E corres para Portugal.
Onde és considerado um rio adulto,
Hospitaleiro e leal.

Um Rio com coragem.
O último rio Selvagem,
Que existe em Portugal.


      Livro: "Homenagem ao Rio Sabor" - Tartaruga Editora


Ansiedade



                                      Já nem o vento responde,
Me trás notícias de ti.
Que será que ele esconde,
Para se esquecer de mim!

Caminhamos lado a lado,
No silêncio dos nossos passos.
E nenhum de nós pergunta,
A causa dos embaraços.

Oh!, aragem da madrugada,
Quem me dera que regresses,
Com novas da minha amada.

Vem. Vem depressa aragem,
E traz contigo a minha amada.
Porque só ela me dá coragem,
Sem ela eu não sou nada.


 Livro: " O acordar das emoções " - Tartaruga - Editora




Era Ali o Meu Douro!



E depois, ali em frente, vejo um rio,
Abraçado por socalcos dourados,
E gente alegre, cantando ao desafio
Canções ancestrais,
Gravadas no peito de filhos e pais,
Que enchiam cestos com uvas alouradas
Pelo sol e o luar de Agosto,
Que adoçavam o céu com o seu mosto.
Esse néctar sagrado,
Que dá alegria ao deus Baco.

Era ali o meu Douro!
Com o seu rio selvagem, 
A serpentear,
A caminho do Mar.

Era aquela a minha Gente!
Gente que ouvia cantar em menino,
Quando no Verão subia, de coração quente,
A outros vales peregrinos,
Pelo calor do sol, de peito aberto,
Para ceifar o abençoado pão,
Esse maná, que Deus multiplicou no deserto.

E no vale, junto ao Rio de águas de prata,
Diante de tamanho encanto,
Entre a Régua e o Pinhão,
Ao som do pregão:
Olha a regueifa!
O comboio sete vezes saudou
O Reino Maravilhoso,
Que o Torga tão bem cantou.


   Livro: Passagens e Afectos" - Tartaruga Editora