domingo, 24 de janeiro de 2016

No Cais Junto ao Rio



Aqui, junto ao Rio,
Ergue-se o Cais,
Por onde passou, gélido e frio,
O coração de mães e pais,
No último adeus menino,
Da minha geração.
Quando, entregue ao destino,
Partia em cumprimento da Missão.

Para mais à frente,
Além-mar,
Noutros portos,
Em outros cais,
Alguém lhe ordenar,
Com voz firme, obedecida:
- Em frente, marchar, marchar,
Até a Missão ser cumprida.

Quando para trás,
No alto mar,
Lançado em segredo,
Ficava sepultado o medo,
Da idade sem medo.

E mais à frente, no mato,
Pacífico e longo,
Se ouvir, entre picadas e o capim,
A lei das armas, a dançar com a morte,
Em Nambuangongo.

E depois, mais tarde,
A este cais de partida,
Nem todos regressaram com vida,
Dessa ingrata Missão.

A que uns disseram sim,
E outros disseram não. 

in, Livro " Memórias e Divagações" - Poética Editora



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

UMA SÚPLICA AO ANO NOVO



Ano Novo,
Meu amigo,
Não passes depressa,
Que me levas contigo.
E dá-me o que te peça,
A mim e a toda a gente:
Saúde, paz, amor e alegria,
Honestidade e inteligência,
E o pão nosso de cada dia.
E traz-nos o calor do sol,
O cintilar das estrelas,
A bênção da chuva,
O murmúrio das fontes,
O trinar do rouxinol,
E o cheiro dos montes.
E fazei, também,
Com que os frutos da terra,
E os peixes do mar,
Sejam divididos,
Com justiça e equidade,
Por toda a Gente da Cidade.
Sem ter em conta a sua cor,
O seu sexo, o seu credo, ou a sua idade.
E, finalmente,
Protegei todas as crianças,
E livrai-nos da fome,
Da peste e da guerra.
Para que haja paz, pão e esperança,
Nas casas de toda a gente,
Que habita a nossa Terra.

             João de Deus Rodrigues

                      29/12/2015

sábado, 26 de dezembro de 2015

A PALAVRA



A palavra,
É uma criação
Que o homem fez,
Num momento de inspiração,
Num gesto de amor.
E criou uma criatura,
Com tanta força e poder,
Que pode matar o criador,
Mesmo sem ele querer.

Mesmo sem ele saber.

     BOM ANO 2016

       João de Deus Rodrigues