domingo, 3 de abril de 2016

As Flores do Campo - (À memória da minha mãe)



  
As flores do campo eram o teu encanto, o teu jardim. 
Delas me falavas, com ternura, assim:

- A flor da raposa é uma túlipa dos montes,
De cor púrpura e cheiro doce, de rara beleza,
Que nasce no sítio das Fontes.

- A flor da esteva tem as cinco chagas de Cristo,
Para lembrar ao homem isto:
Jesus foi crucificado,
Para remissão do teu pecado.

- As papoilas encarnadas ondulam ao sol primaveril,
E enchem de alegria os campos em Abril.

- As campainhas amarelas, aos lameiros de sequeiro,
Trá-las o sol de Fevereiro.

- As violetas, da margem do ribeiro,
São lindas pela cor e pelo cheiro.

- A giesta piorneira 
Matiza os campos, mas não cheira.

- O alecrim,
É o mais lindo para mim!

- O fiolho, é um amor,
Que cheira bem, mesmo sem flor.

- O tomilho é primo da arçã,
E tanto cheira à noitinha,
Como cheira pela manhã.

Eram estas as flores do teu encanto.
E em tua memória, eu gosto tanto!

In: "O Clamor dos Campos" -  Edições Colibri

Montes Floridos




Passa Março e logo Abril,
E os montes da minha aldeia,
Abrem todos em flores mil.

Rosmaninhos tão cheirosos
Giestas brancas e douradas
Amarelos são os tojos
As papoilas encarnadas.
Azevinhos multi-cores
Matos de cores matizadas
Estevas com as chagas de Cristo
E orquídeas variadas.

São os montes da minha terra,
Desabrochando em flores mil.
Quando chega a Primavera,
Até as fragas vão florir.


In "O CLAMOR DOS CAMPOS" -  Edições Colibri

quarta-feira, 16 de março de 2016

Escrever Poesia




Escrever Poesia


E, então,
Apetece-me escrever poesia…

Porque na poesia,
As palavras caladas,
Mas livres,
Voam com alegria,
Quais cavalos alados,
Ao encontro de mim.

É então que, de repente,
Pego numa folha de papel
Para onde brotam palavras,
Palavras em torrente,
Do pensamento.

E uma dor,
Solta-se-me do peito,
Abraçada ao sofrimento.

    In Livro "Passagens e Afectos" - Tartaruga Editora


 



21 de Março, Dia Mundial da Poesia


 E, então,
Apetece-me escrever poesia.

Porque na poesia,
As palavras caladas,
Livres como o vento,
Voam com alegria,
Quais cavalos alados,
Ao encontro de mim.

E é então que, de repente,
Pego numa folha de papel,
Para onde brotam palavras.
Palavras em torrente,
Do pensamento.

E uma dor,
Solta-se-me do peito,
Abraçada ao sofrimento.


      In Livro "Passagens e Afectos" - Tartaruga  Editora