quinta-feira, 14 de abril de 2016

Era Abril




Abril,
Mês de sonhos,
De Liberdade,
E de esperanças mil.

Abril,
Mês em que as andorinhas,
Reconstroem os ninhos,
Que os homens lhes destruíram.

Abril,
Mês de Primavera.
Com campos cobertos,
De papoilas encarnadas.
E de noites sombrias,
À espera de desabrochar,
Em claras madrugadas.

Abril,
Com cravos a florir,
Na boca de espingardas,
Que apontavam novo provir,
A este povo, heróico e honrado,
Que foi capaz de vencer o mar!
E descobrir novas Terras,
Onde havia de ficar,
Cinco séculos,
Para, enfim, os “libertar”.
Em plenas condições de igualdade,
Para regressar ao seu torrão, amado,
Para todos poderem gritar:
Viva a Liberdade.

Era Abril,
Quando o sonho nasceu.
Por isso, vos peço eu:
Não matem o sonho!
O sonho deve viver.
O acordar pode ser medonho,
E todos se vão arrepender!

Viva Abril. Viva Portugal. Viva a Liberdade.

    João de Deus Rodrigues - 25 de Abril de 1978

sábado, 9 de abril de 2016

No Alvor da Liberdade



  
Peguei nos meus filhos, pequeninos, pela mão,
Naquelas manhãs claras que o tempo libertava,
E caminhámos na esfuziante multidão,
Que comungando do mesmo ideal, lutava.

Não queria, tinha a mim mesmo prometido,
Que as estradas que se abriam ao nosso querer,
Jamais caminhassem num só sentido,
Ou alguém cativasse a Liberdade, acabada de nascer.

Por isso, eis que hoje, em Abril, rompe de novo,
Nas cidades dos poetas, gritando pelas avenidas,
Que é bom lembrar Camões e Goya ao Povo.
Para que a Memória esteja presente no futuro,
De todos os que queiram viver na cidade,
Para perpetuar nas avenidas, o grito Liberdade. 


  In: Livro "O Acordar das Emoções" - Tartaruga Editora 




domingo, 3 de abril de 2016

Meditação



Quando fores ao campo,
Conversa com as flores silvestres,
E admira a dança, delicada,
Duma abelha nelas pousada.

E atenta na melodia dum grilo,
A cantar seus louvores,
A esse jardim florido.
E ouve o silêncio do vento,
A beijar com delicadeza,
As dádivas da natureza.

Olha também o firmamento,
E escuta a voz do mar.
Mesmo que as ondas dancem longe,
Para lá do teu imaginar.

Mas escuta,
Escuta mais,
E cada vez mais fundo,
Até ouvires a voz do Mar.
No seu murmúrio profundo,
No silêncio do teu meditar.

In "Passagens e Afectos" - Tartaruga Editora