quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O Azevinho




      

Arbusto silvestre,
De folhas espinhosas,
E bagas vermelhas:
És o Azevinho.

Um símbolo do Natal.
Que nasce na serra de Montesinho,
No Norte de Portugal.


        João de Deus Rodrigues  - Morais/1985

O OUTONO



Outono,
Com tardes curtas e folhas soltas,
De árvores que se desnudam com o assobiar do vento,
E dançam com a chuva, peneirando a neve,
No cume da montanha,
Onde a águia-real,
Paira sobre o vale.

Enquanto na adega se prova o vinho,
No dia de São Martinho,
Com o sabor da castanha assada.
E a coruja mira o sino,
Da torre engalanada.
E o grilo cala o pio.
E a cobra se enrola,
Com medo do Inverno.

   (excerto do Poema: As Estações do Ano)

Livro "Recordações e Afectos - Tartaruga Editora

domingo, 14 de agosto de 2016

Os Cheiros


O lavrador cheira a terra,
E o Outono a trigo semeado.
A pólvora cheira a guerra,
E o pastor a leite e gado.

A lavadeira cheira a roupa limpa,
E o ferreiro a ferro quente.
O lameiro cheira a erva e feno,
E o teu sorriso a inocente.

A primavera cheira a flores,
E o verão a praia e mar.
A mocidade cheira a amores,
E a velhice a descansar.

O vinhedo cheira a mosto,
E o Inverno a neve e geada.
E o luar cheira a Agosto,
E a noite a madrugada.

O pobre cheira a fome,
E o rico a riqueza.
E o trabalho cheira a home,
E a toalha a pão na mesa.


   Poema a publicar no meu próximo livro de poesia.
        14 Julho de 2016 -   João de Deus Rodrigues 


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O Poema que não quero escrever…



  
Se alguém ousasse escrever um poema,
Com palavras nunca ditas nem inventadas,
O que diria nesse poema?
Não sei. Nunca ninguém o escreveu,
Nem a tal se atreveu…

É verdade que nasce luz da utopia,
Mas eu pergunto o que se diria,
Num poema assim escrito…
Sim, que mensagens e sentimentos,
Que pensamentos e alegorias teria
Um poema sem imagens nem poesia?

Não sei. Eu não quero usar palavras
Sem carácter e sem mensagem e harmonia,
Para escrever um poema sem amor,
E sem beleza e fantasia...

Porque um poema só é poema,
Quando é escrito com amor,
Com raiva, e com alguma utopia…
Porque só assim é mais verdadeiro,
Só assim tem mais poesia.

  In Livro "Memórias e Divagações" - Poética Edições