segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Pão por Deus




   
Eram duas crianças,
Como foram os filhos meus.
Bateram à minha porta,
Pediram o pão por Deus.

Traziam consigo outro pão,
Ao contrário de outros tantos.
E alimentavam uma chama,
No dia de Todos os Santos.

Numa época de descrença,
Neste mundo de aflitos,
É dos gestos das crianças,
Que brotam feitos bonitos.

Porque é sempre nas crianças,
Como foram os filhos meus,
Que habitam as esperanças,
Que haja sempre o pão de Deus.


         Livro “ O Acordar das Emoções” – Tartaruga Editora



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ode a uma árvore



Árvore, minha irmã na natureza,
De ti recebo seiva, sombra e frutos.
E foi contigo, também,
Que aprendi a amar a natureza,
Na companhia da minha mãe.

Quando os meus olhos castanhos,
Se deleitavam a contemplar  
Os teus braços, fortes e delicados,
A dançarem com o vento.  
Quando acolhiam avezinhas
Nos jardins, nas florestas ou no deserto,
Para fazerem os seus ninhos,
Virados para o céu aberto…

E foi com o dançar dos teus ramos,
E o cantar harmonioso da tua folhagem,
Em calmas manhãs de Primavera,
Que uma constante e suave aragem
As fazia balançar, qual quimera,
Que eu imaginei sons musicais, Gregorianos,
Cantados numa catedral com mais de mil anos.

E fostes também tu, querida árvore,
Que me ensinaste a crescer,
Quando convivi contigo, lado a lado,
E eras tão frágil como era eu,
Também há pouco tempo nado.
De tal maneira que se uma borboleta
Pousasse em ti, mal a podias suportar,
Nos tenros bracinhos virados para o céu,
À procura da luz solar.

Até que te fizeste um gigante, de braços enormes,
Capaz de enfrentar, em todos os momentos,
A incúria do homem, e a fúria dos elementos.
Por isso eu acredito que vais morrer de pé,
Mas se assim não for, podes acreditar,
Que eu, abraçado a ti, vou chorar.

     22-02-2016 - (Poema a rever, para publicar no meu próximo livro de poesia)

.João de Deus Rodrigues 


Viva o Dia da árvore: 21 de Setembro

O Azevinho




      

Arbusto silvestre,
De folhas espinhosas,
E bagas vermelhas:
És o Azevinho.

Um símbolo do Natal.
Que nasce na serra de Montesinho,
No Norte de Portugal.


        João de Deus Rodrigues  - Morais/1985