quarta-feira, 8 de março de 2017

Poemas para a minha Mãe




Mãe, se eu fosse pintor,
E soubesse pintar,
Pintava-te numa folha de papel.
Utilizaria espátulas, penas, os dedos,
E as cores mais belas.
E macios pincéis,
Para não ferir a tua pele.

O teu retrato seria leve como o vento,
E fluente como a luz.
E os teus olhos, como eram,
Ficariam lindos, cheios de amor.

Seria o retrato que os Mestres teriam pena não ter pintado,
E os vindouros não saberiam fazer igual.
Serias tu, minha mãe, como eras, tal e qual.

E não lhe punha qualquer moldura,
Para não o adulterar.
E, depois de pronto,
Pendurava-o no meu peito,
Junto a ti, no seu lugar.

…E se eu fosse poeta?

Ah!, se eu fosse poeta,
Minha mãe,
E soubesse escrever um poema,
Escrevia-o para ti.
Seria um poema cheio de cor e melodia,
Onde cantaria como és linda,
E quanto gosto de ti.

Seria o poema mais belo,
Na face da Terra e do Céu.
E depois, encostado ao teu coração,
Recitava-to em voz baixa,
Em solene harmonia.
E pronto, dava-to, era teu.
Era a minha oração. 


In Livro: "Passagens e Afectos" - Tartaruga Editora

Oito de Março - Dia da Mulher




Oito de Março,
Dia da Mulher.
Nesse dia, ela é rainha,
Ela é a primeira!
Mas é um desplante,
Uma ironia,
dedicar um só dia, 
A quem é companheira,
Mãe e amante. 

A quem ama os seus filhos,
E o seu semelhante.

E mais, ainda.
É ela que ampara a infância,
E acaricia a velhice,
Com o seu Amor,
Numa dádiva constante.

Então, 
Pergunto eu,
Se não haverá aqui engano,
Dedicar um só dia, por ano,
À Mulher.
Se é ela quem dá vida,
E o seu coração.
E, por isso,
Ela merece, eternamente,
O Amor do mundo,
A todo o instante.

in: Colectânea " A MULHER" -  Associação Portuguesa de Poetas


       João de Deus Rodrigues


domingo, 12 de fevereiro de 2017

O dia dos namorados…




O dia dos namorados,
Deve ser a ocasião ideal,
Para dar um lindo beijo,
Para ser amado e amar,
E para namorar…

Ó!, namorar!...
Esse doce encantamento,
De levar à certa o oposto.
Prometendo-lhe a terra, o céu e o mar,
No calor de um beijo,
Dado ao luar de Agosto…

Esse ternurento ardil,
Embrulhado em promessas mil,
Que muitas vezes não passa
De uma simples brincadeira,
Sem graça,
Que deixa marcas para a vida inteira…

Em quem se deixa enamorar,
No calor de um beijo, brejeiro,
Dado à revelia do amor-verdadeiro,
Como o que Cupido grava num coração,
Sedento de amor e paixão...

Amor e paixão,
Que hão de levar ao altar o namorado,
Que um dia ofereceu à amada uma flor,
Atada com um laço encarnado, de cetim,
Naquele momento, único e singular,
Abençoado por São Valentim…

    
     João de Deus Rodrigues

              In Livro "O Acordar das Emoções" - Tartaruga Editora