sexta-feira, 9 de junho de 2017

10 de Junho dia de Portugal (Soneto)




 

Vens de longe e tens no peito um passado,
Cheio de esperança, lutas, missas e glória.
De quantos, com bravura, fizeram a história,
E agora repousam no teu chão sagrado.

Homens e mulheres, marinheiros e poetas,
Zarparam do teu solo para vencer o mar,
Em frágeis barcaças que o vento fez voar,
Num mundo desconhecido, de portas abertas,

Para dizerem a outras gentes e a outras raças,
Que traziam com eles não só a cruz de Cristo,
Mas também afiadas espadas nas barcaças.

Quando aportavam noutros portos, em outros cais,
Onde semearam crenças e genes sem igual,
Aqueles que fizeram de ti este glorioso Portugal.


                In Livro” Memórias e Divagações” - Poética Edições





10 de Junho dia de Portugal
                (Soneto)



Vens de longe e tens no peito um passado,
Cheio de esperança, lutas, missas e glória.
De quantos, com bravura, fizeram a história,
E agora repousam no teu chão sagrado.

Homens e mulheres, marinheiros e poetas,
Zarparam do teu solo para vencer o mar,
Em frágeis barcaças que o vento fez voar,
Num mundo desconhecido, de portas abertas,

Para dizerem a outras gentes e a outras raças,
Que traziam com eles não só a cruz de Cristo,
Mas também afiadas espadas nas barcaças.

Quando aportavam noutros portos, em outros cais,
Onde semearam crenças e genes sem igual,
Aqueles que fizeram de ti este glorioso Portugal.


Im Livro” Memórias e Divagações” Poética Editora.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

E as crianças, Senhor!




Homens parem de gritar,
E ouçam o silêncio do vento.
E meditem nos segredos do mar,
E na imensidão do firmamento.

E contemplem, também,
A coisa mais preciosa que o mundo tem:
Uma criança.

Reparem na candura do sorriso dela, a brincar
No colo de sua mãe, no aconchego do doce lar.

Longe,
Bem longe, do alcance de déspotas avarentos,
Que passam momentos
A jurar que só querem o bem,
De todas as crianças que o mundo tem.
Porque elas são lindas e queridas,
Anjos inocentes, o melhor das suas vidas.

Mas, isso, é só ruído.
Palavras dolentes, sem sentido,
Dos que não querem ver
Tanta criança a sofrer,
Por esse mundo além,
Abraçadas ao peito da sua mãe,
Chupando peles gretadas,
Que a sede e a fome ressequíram,
E jazem sentadas, junto do seu amado Ser,
De olhos enxutos, sem lágrimas para verter.

Ó desumanidade!
Ó crueldade!
Ó Senhor meu Deus,
Dizei-me por favor,
Porque há tanta criança abandonada,
A perecer com sede e com fome,
Torturadas pela dor,
Com a complacência de parte da humanidade?

Enquanto ao som de trombetas,
Em salões forrados de veludo,
Há criaturas que fazem juras, e tudo,
Dizendo que só querem o bem
De todas as crianças,
Porque elas são o melhor que o mundo tem.

Ó desfaçatez!
Ó Ingratidão!
Porque não calam elas a sua usura,
E refreiam a sua ambição?
E não pensam, por uma vez, 
Que as migalhas que sobram da sua mesa,
E o escorrer das suas taças de cristal,
Bastavam para não morrerem,
Com fome, com sede e com mal,
Tantas crianças que juram amar.

Sim, ó vós?
Que em verdade sabeis
Que elas estão a padecer.
Enquanto assobiais,
Julgando-vos imortais.

Ó mundo cruel,
O vosso, com tão amargo fel!

Guardai as vossas lágrimas,
De serpente rastejante.
Guardai os vossos lamentos e ais,
Mas não venham dizer, de ora avante,
Ou jamais,
Que não sabeis, de verdade,
Dessas crianças com tanta necessidade.

Ou será que o fazeis,
Para melhor adormecerdes
Sobre o peso da vossa consciência
Que julgais ser leve,
E pesa mais que o bronze.
Enquanto, não longe,
Se fina, num contínuo permanente,
Tanta criança inocente.

Não. Não venham com a falsa bondade,
Nem com a vossa sacra fé.
Porque isso mais não é
Que a negação da caridade.

O que me leva a acreditar,
Que nem os dóceis vermes da terra
Hão de querer tragar,
Os vossos corpos fedorentos.
E as moscas, e as formigas,
E até os ratos, seguirão tais intentos.

 Ide para os Infernos,
Criaturas com tais sentimentos.

Ah!, se eu pudesse lançar um raio
Aos vossos corações de besouro,
Que vos afogasse nos palácios de ouro,
Erguidos sobre o sofrimento de tanto inocente,
Eu o faria, num repente!

Sumam-se!
Porque até o doce mar profundo
Não vos há de querer sepultar.
Nem as flores silvestres,
Emprestar o seu perfume.

Evaporem-se,
Corja de malfeitores.
Para que haja um mundo melhor,
Mais generoso e fraterno,
No amor e na esperança,
Com o sorriso de uma criança!

Mas não vos esqueçais,
Que partis sem o perdão dos que cá ficam.
E sem a misericórdia e contemplação,
Dessas crianças que estão no Céu,
Enviadas pela vossa mão.


  In livro "O acordar das emoções" - Tartaruga Editora





As Crianças





Deixemos as crianças,
Serem crianças.
Nem sempre sim,
Nem sempre não.

Elas precisam de cair,
Elas precisam de se levar.
Elas tem necessidade de sorrir,
Elas precisam de chorar.

Caiu, arranhou o joelho,
Faz beicinho, prende o burro?
Dêem-lhe sempre bom conselho!
Chega a adulto é maduro!

Televisão no quarto, na sala,
Na varanda, no jardim.
Sem isso, ela não se cala?
Criança é esperta, faz assim.

A coisa mais linda,
Que Deus nos concedeu,
Foi começarmos em criança,
Nascida do amor profundo.
Porque todas as crianças são,
O melhor Bem que há no Mundo! 


           1 de Junho 2017 -  Dia Mundial da Criança.

                 João de Deus Rodrigues


domingo, 7 de maio de 2017

A Primeira Água que Bebi


A primeira água que me deste a beber,
Minha mãe, foi na concha da tua mão,
Tinha eu acabado de nascer.

E parece que te estou a ver,
A segurares-me, maternalmente,
Nas palmas das tuas mãos de luz,
Quando emergi do primeiro banho,
No teu quarto caiado de branco,
No dia que me destes à luz.

E foi nesse banho,
Minha mãe, que tu, então,
Levaste na concha da tua mão
Finas gotas de água cristalina
Aos meus lábios, e disseste:
- Bebe, meu filho, a água que temperaste,
Para que ninguém te moleste.

E eu bebi uma gota dessa água sem sal,
E aconchegaste-me na toalha de linho,
Estendida no teu regaço maternal,
E depois enxugaste o meu corpinho,
Frágil e fino,
para me elevares ao teu peito anafado,
Para mamar o teu leite abençoado.

(Eu sei que foi assim, minha Mãe,
Porque está no meu coração gravado)

Mas depois eu cresci e parti,
Minha Mãe,
Mas o meu coração cresceu também,
Para tu caberes nele, sempre igual,
A esse dia primordial,
Em que me destes a beber essa água, 
Na concha da tua mão.
E deixei-te ficar sozinha,
Por não te poder levar comigo, minha mãe.

E, por isso, é grande a minha mágoa.
E continua triste o meu coração!

      Livro "O acordar das emoções" - Tartaruga Editora