sábado, 13 de janeiro de 2018

O Medo




Confesso, Senhor, o meu receio,
Que sinto em certos momentos,
E me angustia e mete medo,
Aos sentidos e pensamentos.

O homem quererá ser louco,
Perder o amor que tem?
O que imagina não é pouco,
Ao meter-se na Obra do Além!

Construir um “homenzinho”
Num laboratório qualquer,
Sem sentimentos nem medo,
Fóra do ventre da mulher?

Ao capricho do seu querer,
Qualquer cor sem coração?
Sem ser homem ou mulher,
Que nunca dirá que não?

Sem ser Teu semelhante,
Não terá alma, nem sentimentos,
Nem medo, nem carinho ou amor,
Nem seja lá o que for!

São disto os meus receios,
Que em silêncio vejo passar.
E a minha ignorância pergunta:
Que quer o homem provar?

Que salva a humanidade?
E não a irá aniquilar?
Mas na minha fé espero
Que Tu não irás deixar.

        Lisboa/Maio de 1989 

     In Livro "O Clamor dos Campos" - Edições Colibri

domingo, 31 de dezembro de 2017

Dia de Reis - Memórias




Com que saudade recordo,
O dia seis de Janeiro,
Em casa dos meus avós maternos.
Quando eu adormecia ao colo do avô Luciano,
Sentado no velho escano de madeira,
Junto da lareira, a crepitar sons eternos.
E a avó Merência, com a sua sábia sapiência,
Nos narrava a viagem dos Reis Magos,
A caminho de Belém,
Para adorarem o Deus Menino,
E a Virgem Maria, Sua Mãe.
E depois, filhos, netos e criados,
Todos cantavam:

“Já os três Reis são chegados,
Às portas do oriente,
Visitar o Deus Menino,
Alto Deus omnipotente.

Foram a casa e Herodes,
Por ser o maior reinado,
Que lhes ensinasse o caminho,
Onde Deus era adorado.

Mas Herodes era malvado,
Perverso e assassino.
E aos Três Reis ele ensinou,
Às avessas o caminho.

Mas os três Reis eram santos,
E uma estrela os guiou.
Para trás de uma cabana,
A estrela de abaixou.

A cabana era pequena,
Não cabiam todos três,
Adoraram o Deus Menino
Cada um por sua vez”.

      João de Deus Rodrigues – Janeiro de 2018


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

UMA SÚPLICA A 2018





Ano Novo, meu amigo,
Não passes depressa,
Que me levas contigo.
E dá-me o que te peço,
A mim e a toda a gente:
Saúde e paz, amor e alegria,
Honestidade e inteligência,
E o pão nosso de cada dia.

E traz-nos o calor do sol;
O cintilar das estrelas;
A bênção salvífica da água;
O murmúrio das fontes;
O trino do rouxinol;
O cheiro dos montes;
Os campos de trigo,
E o abraço do amigo!

E fazei, também,
Com que os frutos da terra,
E os peixes do mar,
Sejam divididos,
Com justiça e equidade,
Por todas as pessoas da Cidade.
Sem ter em conta a cor,
O sexo, o credo, ou a idade.

E finalmente,
Protegei todas as crianças.
E livrai-nos da fome,
Da peste e da guerra.
Para que haja Paz,
Pão e Esperança,
Nas casas de toda a gente,
Que habita na Terra.

           DESEJO A TODOS BOM ANO NOVO, 2018

                                         João de Deus Rodrigues