segunda-feira, 19 de março de 2018

O Dia do Pai (19 de Março)


Dezanove de Março, dia do Pai.
Falar do meu, que já partiu,
É um embaraço, um dilema.
Mas em sua memória,
Dedico-lhe este curto poema.

Pai, eu sou o resultado
De um acto, lindo, de amor,
Que te aconteceu.
Acto de amor de que resultou,
Eu estar aqui, ter nascido eu.

Nunca te dei nada, meu pai,
A não ser cuidados e alegrias.
Mas trago-te no coração,
Todas as horas, de todos os dias.

De ti guardo úteis conselhos,
Que me têm guiado na vida:
Um homem, para ser homem a valer,
Deve andar de cara descoberta;
Cumprir a palavra dada;
Pagar os compromissos na hora certa;
Não roubar nada a ninguém;
Não dar o passo maior que a perna,
E exigir para si, como faz a outrem.

Porque se assim proceder,
Tudo na vida lhe correrá bem,
E nada de mal lhe pode acontecer.

Obrigado, meu querido pai.
Porque para mim, um pai
É como se fosse outra mãe,
Sem útero nem placenta,
Que aos filhos quer bem,
E com amor os alimenta.

        João de Deus Rodrigues

                 Lisboa, 19 de Março de 2018

                           BOM DIA DO PAI.

quinta-feira, 15 de março de 2018

A criação da Terra (a chegada dos insectos)


     
Depois, Deus mandou ir ter contigo,
Caminhando em mil pés,
Belas criaturas com anéis,
Para lhe dares alimento e abrigo.
Para eles te ajudarem na criação,
De outras espécies em profusão.

E tu recebeste-os amavelmente:
Bem -vindos ao reino animal.
E ordenaste-lhe:
Agora, fazei como os demais,
Multiplicai-vos por todo o lugar,
Alados e não alados.

E disseste-lhe:
Quando esta ordem for cumprida,
Sereis as criaturas mais belas e numerosas,
Que habitam em mim.
Sereis o elo que não se pode quebrar,
Na construção deste oásis de rosas.
E mandaste-os partir.

E eles assim fizeram,
Para cumprimento da profecia.
Que se cumpre no dia- a- dia,
Para bem do Todo harmonioso.

Por isso, te peço meu irmão:
Observa a prodigiosa lição
Que nos é dada por abelhas e formigas,
E os outros insectos restantes.
E verás como aprendemos,
Com os seus exemplos constantes,
A toda a hora, todos os dias.

E respeita-os, também,
Porque sem eles não viverias!

   In Livro “ Passagens e Afectos” – Tartaruga Editora

quarta-feira, 14 de março de 2018

Gosto da minha cidade!



Gosto da minha cidade!
Gosto da minha cidade, 
E por isso emprestei-me a ela.
E ela quis-me como filho seu.
Sem limites.
Por isso, a cidade é minha, também,
E eu sou dela,
Pelo mesmo motivo.
O Tejo
O Castelo de São Jorge
O Cais das colunas
Os jardins e monumentos de Belém
O estádio da Luz
O elétrico 28
O Poço do Borratém…
Tudo isto foi meu
Em algum instante
No espaço dos passos.

Mas, mesmo assim,
Apetece-me o silêncio das pedras
O cheiro da terra
O brilho das estrelas
E o perfume das serras

Porque, antes, eu fui filho das fragas!

In Livro "Memórias e Divagaçoes" - Poética Editora