terça-feira, 20 de março de 2018

Ode a uma árvore


Árvore, minha irmã na natureza,
De ti recebo seiva, sombra e frutos.
E foi contigo que aprendi, também,
A amar a tua generosidade e beleza,
Com a ajuda do saber da minha mãe.

Quando os meus olhos castanhos,
Se deleitavam a contemplar  
Os teus braços fortes e delicados,
A dançarem com o vento norte.  
Quando acolhiam as avezinhas,
No jardim, na floresta ou no deserto,
Para construírem seus ninhos,
Virados para o céu aberto.

E foi com o dançar dos teus ramos,
E o som harmonioso da sua folhagem,
Nas calmas manhãs de Primavera,
Que uma constante e suave aragem
As fazia balançar, qual quimera,
Que eu imaginei cantares Gregorianos,
Numa catedral com mais de mil anos.

E também foste tu, querida árvore,
Que me ensinaste a crescer.
Quando convivíamos lado a lado,
E eras tão frágil quanto era eu,
Também há pouco tempo nado,
Que se uma delicada borboleta
Pousasse em ti não a podias suportar,
Nos teus bracinhos virados para o céu,
À espera da chuva e da luz solar.

Até que te tornaste um gigante,
De tronco forte e braços enormes,
Capaz de enfrentar a todos os momentos,
A incúria do homem e a fúria dos elementos.
Por isso, quero crer que vais morrer de pé,
Mas se tal não acontecer, podes acreditar,
Que eu, abraçado ati, de certeza vou chorar.

In Livro “O Clamor dos Campos” - Colibri Edições
            (Poema alterado)

segunda-feira, 19 de março de 2018

O Dia do Pai (19 de Março)


Dezanove de Março, dia do Pai.
Falar do meu, que já partiu,
É um embaraço, um dilema.
Mas em sua memória,
Dedico-lhe este curto poema.

Pai, eu sou o resultado
De um acto, lindo, de amor,
Que te aconteceu.
Acto de amor de que resultou,
Eu estar aqui, ter nascido eu.

Nunca te dei nada, meu pai,
A não ser cuidados e alegrias.
Mas trago-te no coração,
Todas as horas, de todos os dias.

De ti guardo úteis conselhos,
Que me têm guiado na vida:
Um homem, para ser homem a valer,
Deve andar de cara descoberta;
Cumprir a palavra dada;
Pagar os compromissos na hora certa;
Não roubar nada a ninguém;
Não dar o passo maior que a perna,
E exigir para si, como faz a outrem.

Porque se assim proceder,
Tudo na vida lhe correrá bem,
E nada de mal lhe pode acontecer.

Obrigado, meu querido pai.
Porque para mim, um pai
É como se fosse outra mãe,
Sem útero nem placenta,
Que aos filhos quer bem,
E com amor os alimenta.

        João de Deus Rodrigues

                 Lisboa, 19 de Março de 2018

                           BOM DIA DO PAI.

quinta-feira, 15 de março de 2018

A criação da Terra (a chegada dos insectos)


     
Depois, Deus mandou ir ter contigo,
Caminhando em mil pés,
Belas criaturas com anéis,
Para lhe dares alimento e abrigo.
Para eles te ajudarem na criação,
De outras espécies em profusão.

E tu recebeste-os amavelmente:
Bem -vindos ao reino animal.
E ordenaste-lhe:
Agora, fazei como os demais,
Multiplicai-vos por todo o lugar,
Alados e não alados.

E disseste-lhe:
Quando esta ordem for cumprida,
Sereis as criaturas mais belas e numerosas,
Que habitam em mim.
Sereis o elo que não se pode quebrar,
Na construção deste oásis de rosas.
E mandaste-os partir.

E eles assim fizeram,
Para cumprimento da profecia.
Que se cumpre no dia- a- dia,
Para bem do Todo harmonioso.

Por isso, te peço meu irmão:
Observa a prodigiosa lição
Que nos é dada por abelhas e formigas,
E os outros insectos restantes.
E verás como aprendemos,
Com os seus exemplos constantes,
A toda a hora, todos os dias.

E respeita-os, também,
Porque sem eles não viverias!

   In Livro “ Passagens e Afectos” – Tartaruga Editora