quarta-feira, 21 de março de 2018

Aos poetas ausentes


Poetas,
Vós que descansais
No Reino de Deus,
Aonde creio que estais,
Eis-me aqui a suplicar,
Que não olheis para a minha poesia.
Embora saibais 
Que ela brota de mim, sincera,
Para o vento a levar aos homens da serrania.
Porque são eles a dizer,
Que os homens da cidade 
Não a podem compreender!

Mas é bom saber,
Que o vento leva a poesia,
Aos homens da serrania.
Por isso, poetas,
Ausentes e presentes,
Fazei como eu,
E exultai comigo e com eles,
Fraternalmente,
Porque a Poesia não morreu.
Ela viverá eternamente!

In Livro " Memórias e Divagações" - Poética Edições

         21 de Março, Dia Mundial da Poesia. VIVA A POESIA
                          João de Deus Rodrigues





terça-feira, 20 de março de 2018

Ode a uma árvore


Árvore, minha irmã na natureza,
De ti recebo seiva, sombra e frutos.
E foi contigo que aprendi, também,
A amar a tua generosidade e beleza,
Com a ajuda do saber da minha mãe.

Quando os meus olhos castanhos,
Se deleitavam a contemplar  
Os teus braços fortes e delicados,
A dançarem com o vento norte.  
Quando acolhiam as avezinhas,
No jardim, na floresta ou no deserto,
Para construírem seus ninhos,
Virados para o céu aberto.

E foi com o dançar dos teus ramos,
E o som harmonioso da sua folhagem,
Nas calmas manhãs de Primavera,
Que uma constante e suave aragem
As fazia balançar, qual quimera,
Que eu imaginei cantares Gregorianos,
Numa catedral com mais de mil anos.

E também foste tu, querida árvore,
Que me ensinaste a crescer.
Quando convivíamos lado a lado,
E eras tão frágil quanto era eu,
Também há pouco tempo nado,
Que se uma delicada borboleta
Pousasse em ti não a podias suportar,
Nos teus bracinhos virados para o céu,
À espera da chuva e da luz solar.

Até que te tornaste um gigante,
De tronco forte e braços enormes,
Capaz de enfrentar a todos os momentos,
A incúria do homem e a fúria dos elementos.
Por isso, quero crer que vais morrer de pé,
Mas se tal não acontecer, podes acreditar,
Que eu, abraçado ati, de certeza vou chorar.

In Livro “O Clamor dos Campos” - Colibri Edições
            (Poema alterado)

segunda-feira, 19 de março de 2018

O Dia do Pai (19 de Março)


Dezanove de Março, dia do Pai.
Falar do meu, que já partiu,
É um embaraço, um dilema.
Mas em sua memória,
Dedico-lhe este curto poema.

Pai, eu sou o resultado
De um acto, lindo, de amor,
Que te aconteceu.
Acto de amor de que resultou,
Eu estar aqui, ter nascido eu.

Nunca te dei nada, meu pai,
A não ser cuidados e alegrias.
Mas trago-te no coração,
Todas as horas, de todos os dias.

De ti guardo úteis conselhos,
Que me têm guiado na vida:
Um homem, para ser homem a valer,
Deve andar de cara descoberta;
Cumprir a palavra dada;
Pagar os compromissos na hora certa;
Não roubar nada a ninguém;
Não dar o passo maior que a perna,
E exigir para si, como faz a outrem.

Porque se assim proceder,
Tudo na vida lhe correrá bem,
E nada de mal lhe pode acontecer.

Obrigado, meu querido pai.
Porque para mim, um pai
É como se fosse outra mãe,
Sem útero nem placenta,
Que aos filhos quer bem,
E com amor os alimenta.

        João de Deus Rodrigues

                 Lisboa, 19 de Março de 2018

                           BOM DIA DO PAI.