sábado, 5 de maio de 2018

Poemas para a minha Mãe



Mãe,
Se eu fosse pintor e soubesse pintar,
Pintava o teu retrato, numa folha de papel.
Utilizaria espátulas, penas e as cores mais belas.
E macios pincéis, para não ferir a tua pele. 

O teu retrato seria leve como o vento,
E fluente como a luz.
E os teus olhos ficariam lindos,
Como eram, cheios de amor.
Seria um retrato que os Mestres
Teriam pena de não ter pintado,
E os vindouros não saberiam fazer igual.
Serias tu, minha mãe, como eras, tal qual,
E não lhe punha qualquer moldura,
Para não o adulterar.
E depois de pronto, pendurava-o ao peito,
Junto a ti, no seu lugar.

…E se eu fosse poeta?


Ah!, se eu fosse poeta, minha Mãe,
E soubesse fazer um poema,
Escrevia-o para ti.
Seria um poema cheio de cor e melodia,
Onde cantaria como és linda,
E quanto eu gosto de ti.

Seria o poema mais belo da terra e do céu.
E depois, encostado ao teu peito,
Recitava-to, em solene harmonia,
E pronto, dava-to, era teu.
E seria a minha alegria.

In Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga Editora

terça-feira, 1 de maio de 2018

MÊS DE MAIO:

MÊS DE MAIO: Dia do Trabalhador. Mês De Maria e das Rosas.


  DIA DO TRABALHADOR,

Todo o trabalho,
Tem dignidade.
É com o trabalho,
Que se ergue a Cidade.


Todo o trabalho,
É útil e compensa.
Porque é com ele,
Que se enche a despensa.

Mas atenção:
Viver para trabalhar?
Sim.
Trabalhar para viver?
Não.


  O MÊS DAS ROSAS.

Rosa, a mais bela flor,
para o altar de Maria.
Rosas, a melhor oferta
para dar ao nosso amor.

sábado, 28 de abril de 2018

As Coreias – Paralelo 38 (27 de Abril de 2018)

Sim à Paz, não à guerra!
Apetecia-me ir para a rua gritar,
Num gesto genuíno e afoito,
Para ver se acabavam na terra,
Todos os paralelos trinta e oito.

Os homens, aqueles que ontem
Ensaiavam temíveis bombas
Nucleares, que não era brincadeira,
São os mesmos que hoje falam em pombas,
Em Paz e em ramos de oliveira.
E se abraçam, fraternalmente,
Para que os povos do mundo vejam,
Que querem a paz, sinceramente!

Deus queira que assim seja,
E se ponha fim a tamanho sofrimento,
De tantos pais e filhos, netos e avós!
Que durante gerações se enfrentaram,
E possam, finalmente, confraternizar,
Sem rancores nem ódios, pois então.
E os desavindos se possam abraçar,
Fraternalmente, de irmão para irmão.

Contudo, desejo isso e tenho medo.
Tenho medo que alguém, em segredo,
Já esteja a pensar em acender o pavio
Que vá atear o fogo no convés do navio
Onde navega toda a minha fé e esperança.
Porque as guerras, em todos os continentes,
Começaram por interesses, ódios e vinganças.
E isso, nunca deixa todas as partes contentes!

Mas eu quero pensar positivo.
Para isso, quero mesmo acreditar,
Que se o homem quiser, é capaz
De que todos os paralelos trinta e oito,
E todas as guerras, declaradas ou pensadas,
De uma vez por todas, possam acabar!
Para que todos possam vir para a rua gritar:
Não à guerra, meu amigo, sim à Paz.

   João de Deus Rodrigues - 28 de Abril de 2018

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Na alvorada da Liberdade




Peguei nos meus filhos pequeninos pela mão,
Nessas manhãs claras que o tempo libertava,
E caminhamos no meio da esfuziante multidão,
Que comungando dos mesmos ideais, lutava. 

Não queria, tinha a mim mesmo prometido,
Que as estradas que se abriam ao nosso querer,
Jamais apontassem a direcção de um só sentido,
Ou alguém cativasse a Liberdade, acabada de nascer. 

Por isso, eis que agora, em Abril, rompe de novo,
O grito do Poetas, espalhado pelas avenidas,
Que é bom lembrar Camões e Goya ao Povo. 

Para que a memória esteja presente no futuro,
De todos os que queiram viver na Cidade,
Para perpetuar nas avenidas o grito Liberdade. 

In Livro “O Acordar das Emoções” – Tartaruga Editora


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Os pastores da minha aldeia ( homenagem)



Os pastores da minha aldeia,
De manta e cajado na mão,
Comiam frutos silvestre,
Acompanhados com pão.

Foram gerados no campo,
E nados e criados nos montes.
E falavam com as estrelas,
E bebiam água nas fontes.

E com os cães destemidos,
Seus fiéis companheiros,
Enfrentavam medos e mitos,
Com os lobos na ideia,
Os pastores da minha aldeia.

Que agora vão partindo,
Deixando triste a nossa terra,
Para entregar a alma ao Criador,
Depois de anos na serra.
,
Cantando salmos ao Senhor.
Com a manta ao ombro,
E o cajado na mão.
Bebendo água nas fontes,
Comendo o ázimo pão!

 In Livro "O Clamor dos Campos" - Colibri Editora