sábado, 9 de junho de 2018

10 de Junho - Dia de Portugal



Ó, meu querido Portugal,
Quantas lágrimas foram vertidas,
Por esse mundo além,
Com sangue, suor e sal,
Por santos e pecadores,
E missionários e pregadores,
Como o Vieira com os Sermões.
Ou escritores como o Herculano,
O Camilo, o Virgílio e o Eça.
Ou por poetas como Camões,
A Sofia, o Torga e o Herberto.
E tanta gente de espírito aberto,
Para seres a Nação que és:
Heróica e fiel, sem engano!

Tu, meu querido Portugal,
Que foste e és o berço
De soldados e marinheiros;
De lavradores e engenheiros;
De analfabetos e doutores;
De operários e cavadores;
De artistas e cientistas, sem igual.
Que deram novos mundos ao mundo,
Fazendo de ti uma Nação exemplar.

Mas agora há coisas tais,
Que fazem doer o coração,
Às criaturas honestas e leais,
Que conhecem e amam Portugal.
Quando Agências de notação,
Fazem discursos prolixo,
A dizerem aos demais, tal e qual,
Que tu vales menos que lixo!

Ora, a esses ignorantes anormais,
O que me apetece dizer,
É que a memória não se apaga.
E, por isso, se não têm que fazer,
Então, que vão passear a um sítio,
Para onde já mandei outros tais.
Que fica por baixo de Braga,
E que não nos chateiem mais.

VIVA PORTUGAL.

                     João de Deus Rodrigues

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Deixem as crianças ser criança!



Deixem as crianças,
Ser criança, pois então.
Nem sempre sim,
Nem sempre não.

Elas precisam de cair,
Elas precisam de se levar.
Elas tem necessidade de sorrir,
Elas precisam de chorar.

Caiu, arranhou o joelho?
Faz beicinho, prende o burro?
Se lhe dermos bom conselho,
Chega a adulto, está maduro!

Televisão no quarto, na sala,
Na varanda e no jardim!?
Sem isso, ela não se cala?
Criança é esperta, faz assim.

A coisa mais bela,
Que Deus nos concedeu,
Foi começar em criança,
Nascida de amor profundo.
Porque as crianças são,
A melhor coisa que há no Mundo!

           1 de Junho 2018 -  Dia Mundial da Criança.

João de Deus Rodrigues



sábado, 26 de maio de 2018

A chegada dos piercings à Capital…



A Capital, de repente, perdeu a virgindade; 
Os bilhetes operários; o hábito de as mulheres
Andarem a varrer a rua com a saia;
Os homens deixaram de ir de fato e gravata para a praia;
Os fumadores deixaram de deitar o fumo do cigarro 
Na cara das senhoras, nos eléctricos dos Prazeres e da Graça...;
Os namorados para darem um beijo terem que esperar
Pelos arraiais dos santos populares, ou ir a Feira Popular
Para dar uma voltinha no comboio fantasma….

De facto, tudo isto, de um momento para o outro, deixou de fazer
Parte da história e foi lançado ao rio, às ninfas do Tejo,
Quando o eco das avenidas convidou ao prudente silêncio nas vielas.
Porque o futuro da cidade, passava pelos piercings das donzelas,
Que, de umbigo à mostra e mamilos arrebitados, faziam rejubilar
Os deuses e os rapazes, a dizerem para elas:
- Ó minha coisinha boa, tens cá uma barriguinha,
Para fazer pressão sobre a minha...
E era lesta a gargalhada delas, que, de pronto os abraçavam e respondiam ao remoque do gracejo:
- Mas que ternura meu amor, meu anjo sedutor! 
E logo ali, em frente de toda a gente, se davam na boca um beijo,
E se sentavam na esplanada, a beber cerveja, cheios de amor!

Isto, nos ternurentos anos setenta do século XX, da era do Senhor…

            In Livro “ Memórias e Divagações” – Poética Edições.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

O fogo.



No princípio,
No concílio do Poder,
Ordenaram-te os deuses:
Vai, leva luz às trevas,
E dá sentido à claridade.
O Universo é teu.

Partiste como um raio,
E veio contigo o poder.
Esse ímpeto destruidor.
E arramaste pelo mundo,
O acalento das chamas,
E a beleza da tua cor.

Mas, ao mesmo tempo,
Também foste o portador,
De alegria e sofrimento,
E de muita lágrima e dor!

In livro “Passagens e Afectos” – Tartaruga Editora