quarta-feira, 8 de agosto de 2018

NOTICIAS DA CAPITAL


Um passeio pela cidade



Hoje fui passear,
No coração da capital.
Na Baixa não se cabia,
No Chiada era igual.

Férias, turistas, Verão,
Gente que poderá ser rica,
Alguma será, outra não,
Esta pode ser a explicação.

No elevador de Santa Justa,
Onde se andava de graça,
Hoje, um passeio não se ajusta,
A uma ida às ruínas do Carmo.

Entre a rua do Carmo,
E a Rua do Ouro,
Uma fila, enorme, aguarda horas,
Para subir ao miradouro

O que de lá se observa,
É, sem dúvida, deslumbrante:
Parte da Baixa pombalina,
Com o Tejo, ao fundo, radiante.

E em frente uma colina,
Com o castelo de são Jorge,
A fazer lembrar a mourama,
Como a história nos ensina.


       Lisboa, 8 de Agosto de 2018
           João de Deus Rodrigues.




segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O MEDO!


O medo,
Esse fantasma que acompanha o homem.
Que tem levado à paz e conduzido à guerra,
Todos os povos da terra,
É um sentimento comum e desigual,
Que pode começar pequeno,
E crescer até ao aniquilamento,
Colectivo ou individual.
Contudo, se não existisse medo,
Nada no mundo seria igual.
Por isso, eu também tenho medo.
Não, que me caia em cima a Lua,
Ou que se evapore a água do mar.
Não. Não é esse o meu medo, meu amor,
O meu medo é que não haja flores no jardim
Nem abelhas para nelas pousar.
Ou, então, que um dia te procure,
E não te encontre, por teres partido.
Levando alguns segredos contigo,
Dos meus medos, que pairam no ar.
Alguns, que já te revelei,
Outros, que não te quero revelar.

      Poema a publicar no meu próximo livro de poesia.
       Junho de 2017- João de Deus Rodrigues


domingo, 5 de agosto de 2018

As mãos…

 
As mãos são companheiras,
Do pensamento e do coração.
E dialogam connosco, inteiras,
Quando fazemos uma carícia,
Ou exprimimos dor ou paixão.

Ou quando conversamos com amigos,
E lhes queremos indicar o infinito.
Ou pegamos nos nossos filhos,
Para lhes darmos na face um beijo,
Esse gesto de amor tão bonito.

Por isso, as nossas mãos
São uma dádiva divina,
Que nos auxiliam a todo o momento,
A exprimir o nosso pensamento,
E a equilibrar a tremenda rotina,
Do nosso comportamento.
 
Como aconteceu hoje comigo,
Quando, em frente do massificador
Do homem, o computador,
Dei comigo a falar com as minhas mãos,
Como se fôssemos três irmãos.

Quando olhei para elas,
Que já não são donzelas,
E lhes disse: hoje vamos conversar,
Sobre o passado da nossa vida,
De tantos anos em comum.

Porque vós, queridas mãos,
Ainda me obedeceis,
Na circunstância da idade.
Como quando éramos jovens,
E tivemos tanta cumplicidade…

E vencemos obstáculos, com perigo;
Acariciámos a face da nossa mãe;
Enfrentámos sem temor o inimigo;
Escrevemos algumas cartas de amor;
Limpámos o rabinho aos filhos;
Acariciámos no jardim muita flor;
E nada nos seduziu, que fosse doutrem!

E logo ao levantar, pela manhã,
Uma lava a outra, com gosto,
E ambas lavais o meu rosto.
E assim passamos uma vida sã,
Todos os dias, pois então,
Queridas mãos, do meu coração.

  Poema do meu próximo livro de poesia.



        João de Deus Rodrigues- Agosto de 2018