segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A minha Mãe e o Búzio e o Mar.


                  Soneto

Colocaste-me o búzio no ouvido.
Foi no esquerdo, estou bem certo,.
Para que ouvisse, em silêncio contido,
O murmúrio do mar, ali tão perto.

E eu assim fiquei alegre e quedo,
A ouvir o mar no infinito.
Junto ao mito, esse segredo,
Que me desvendaste, tão bonito!

Mas nem tu nem eu sabíamos o Mar!
Essa imensidão azul, obra de Deus,
Que um dia havia de procurar,

Lá longe, muito longe, além da serra.
Para te levar a vê-lo, bem de perto,
Quando findasse aí o deserto.

  In livro: “ O acordar das emoções” – Tartaruga Editora



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Fui ver a minha aldeia



Fui ver a minha aldeia,
A terra que me viu nascer.
Trago-a comigo na ideia,
Jamais a poderei esquecer.

Casas, lugares e pessoas,
Fazem parte da memória.
De coisas tão belas e boas,
O âmago da minha história.

A igreja onde fui baptizado,
Com o sino que anunciou,
O cristão que ainda hoje sou.

A casa que me viu nascer,
Está tão só e abandonada,
Que vê-la assim fez-me sofrer.

           João de Deus Rodrigues

            Morais, 12 de Agosto de 2018


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Saudades da terra amada.


  
Ó minha aldeia abençoada,
Onde tudo me prende a ti:
A memória de quem nasci;
A descoberta dos passos primeiros;
O suave milagre dos cheiros;
A pureza da água das fontes;
O perfume agridoce dos montes;
A melodia cantante dos rios;
O calor nos dias frios;
O cintilar das estrelas;
A maneira terna de amar;
A luz pálida do luar,
E o sorriso de mulheres belas...
 
Até o sabor dos beijos escondidos,
Que despertaram os meus sentidos,
E o sorriso de uma terna criança,
Com o coração cheio de esperança! 

Tudo em ti são memórias presentes:
De casas soalheiras,
De ruas poeirentas,
De gestos e maneiras,
De corações ardentes.

Enfim,
É a saudade presente em mim,
Minha Terra amada.
Onde o azul celeste é diferente,
Do azul das ondas do mar.
E mais bela a madrugada,
Quando desce do monte,
De braço dado,
Com o dia a despontar!

           Poema do meu próximo livro de Poesia.
                   João de Deus Rodrigues