quarta-feira, 20 de março de 2019

DIA 21 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA POESIA.

POIS QUE VIVAM OS POETAS E A POESIA.


POEMA:




O poeta nasce poema,
E com ele um mundo novo.
Será sempre um pensador,
Que canta para abraçar o povo.

Nascem os poetas nus,
Com o destino traçado.
E porque são fingidores,
Tornam suaves as dores,
Fazem loas ao seu fado.

Não nasci poema,
Nem faço loas ao meu fado,
E muito menos sou fingidor.
Mas peço desculpa aos poetas,
Se lhe causo alguma dor…

In Livro "O Clamor dos Campos" - Edições Colibri.

 




terça-feira, 19 de março de 2019

19 DE MARÇO - DIA DO PAI


AO MEU PAI
(poema alterado)
Dezanove de Março, dia do Pai.
Falar do meu, que já partiu,
É um embaraço, um dilema.
Mas em sua memória aqui vai,
Este sentido e simples poema.


Pai, eu sou o resultado
De um acto de amor,
Que aconteceu.
E do qual resultou,
Ter nascido eu.


Nunca te dei nada, querido pai,
Excepto cuidados e alegrias.
Mas trago-te no meu coração,
As horas todas, de todos os dias,
Que já passaram, e dos que virão.


De ti guardo úteis conselhos,
Que me guiaram toda a vida:
Um homem, para ser homem a valer,
Deve andar de cara descobert;
Cumprir a palavra dada;
Pagar o prometido na hora certa;
Não roubar nada a ninguém;
Não dar o passo maior que a perna;
E exigir para si, como faz a outrem.


Garanto-te, também,
Que se assim proceder,
Tudo lhe vai correr bem,
E nada de mal lhe vai acontecer.


Obrigado, meu querido pai,
Porque para mim o teu dia
É, e será sempre,
O dia de uma outra mãe.
O dia de uma outra mãe,
Sem útero nem placenta.
Mas que aos filhos quer bem,
E com amor os alimenta.
João de Deus Rodrigues

In Livro “O clamor dos campos” – Edições Colibri

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O Dia de Reis

O Dia de Reis.


Com que saudade recordo,
O dia seis de Janeiro.
Quando ainda se sentia o cheiro
Das rabanadas do Natal,
Em casa dos meus avós maternos.
E eu adormecia na lareira,
Que crepitava sons eternos!

Enquanto a avó Merência,
Com a sua sábia sapiência,
Narrava a odisseia dos Reis Magos,
A caminho de Belém,
Para adorarem o Deus Menino,
E a Virgem Maria, Sua mãe,

E depois, todos cantavam:

“Já os três Reis são chegados,
Às portas do Oriente.
Visitar o Deus Menino,
Alto Deus omnipotente.

Foram a casa de Herodes,
Por ser o maior reinado,
Que lhes ensinasse o caminho,
Aonde Deus era adorado

Herodes como malvado
E perverso assassino,
Aos três Reis ensinou,
Às avessas o caminho.

Mas os três Reis eram santos,
E uma estrela os guiou.
E para trás de uma cabana,
A estrela se abaixou.

A cabana era pequena,
Não cabiam todos três.
E adoraram o Deus Menino,
Cada um por sua vez.”


Mas depois,
A seguir à puberdade,
Outros dias de Reis vieram,
Cheios de amor e meiguice,
Com o luar vermelho da cidade,
Longe do encanto da meninice…

Na companhia de amigas,
Despidas de preconceitos reais.
Onde não havia monarcas,
Nem trono, nem coroa,
Nem outras realezas que tais.

Mas sim amor a desabrochar,
Como rosa encarnada que floriu,
Num Janeiro diferente dos demais…

  João de Deus Rodrigues

In Livro " O Acordar das Emoções" - Tartaruga Editora





terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Aproxima-se o Natal.


Oh!, quem me dera, Senhor,
Ter outra vez o Natal da minha mãe.
Quando ela me falava com amor,
Dos mistérios e encantos que ele tem.

Oh!, quem me dera, Senhor,
Ter outra vez o Natal que a memória tem.
Quando em família cantávamos com fervor,
Canções ao Menino e á Virgem, Sua mãe.

Oh!, quem me dera, Senhor,
Que o Natal fosse outra vez assim,
Como quando eu era menino!
E junto à lareira, lembro-me bem,
Aconchegados que era um regalo,
Cantávamos canções de Natal.
E à meia-noite íamos à missa do Galo,
Onde beijávamos o Deus Menino,
Como se Ele fosse tão verdadeiro,
Como era aquele que os anjos
Anunciavam aos pastorinhos em Belém,
Como me contava a minha mãe!

Oh!, que bom seria, meu Deus,
Se neste Natal que se aproxima,
Não houvesse irmãos meus,
A dormirem no cais, junto ao rio,
Abandonados e sozinhos,
Com fome, sede e frio!

E mais além,
Não se visse tanta criança,
A chamar pelo seu pai,
A clamar pela sua mãe,
E não lhes aparecer ninguém,
Para lhes dar um beijo paternal.
Nessa noite mística de Natal,
Símbolo do nascimento de Jesus em Belém.

        João de Deus Rodrigues

      In Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga Editora.


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A MULHER.


Mulher,
Quando a história do mundo se fizer,
Colocadas as coisas no seu lugar,
No topo da glória imortal,
Figurarás tu, pois então.
Como um Ser perfeito que Deus fez,
No sexto dia da Criação.


E nesse dia da Criação, o Mestre,
Depois da Obra concluída,
Olhou para ti, e disse de seguida:
Tu serás o único Ser, também,
A gerar vida, à Minha imagem e semelhança,
Por isso, além de Mulher, também serás Mãe.
E observando-te uma vez mais,
Maravilhado com a harmonia do teu semblante,
Acrescentou: e também serás Amante.

Mas ainda eras só uma estátua de barro, inanimada.
Então o Senhor colocou a sua mão sagrada
Sobre o teu peito, e soprando sobre ele disse:
Haja vida em ti, Mulher,
E olha para Mim e sorri, para Eu te ver.

E tu assim fizeste, majestosamente,
E, então, o Senhor ordenou:
Mulher, de ora avante,
Além de mãe e de amante,
Também terás o Amor mais profundo
De todas as criaturas do Mundo.
Vai. Cumpre a missão que te couber,
Que foi para isto que te Fiz mulher.

Oh!, como Vos agradeço Senhor,
Por Teres feito a mulher como a fizeste:
Bela, sensual, encantadora e inteligente.
Uma criatura com sensibilidade enorme,
Que cumpre a missão que lhe Incumbiste,
E muitas das tarefas do homem.

Por isso, obrigado Senhor,
Porque foi feita a Vossa vontade,
E tudo está conforme.

In Livro“ O acordar das Emoções“ – Tartaruga Editora

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Poema para os meus filhos.


Poema para os meus filhos.
            (soneto)



Lá longe, além do mar,
Havia gente de duas cores,
Que pensava em matar,
Em vez de plantar flores.

O homem faz a guerra e a paz,
Deus concedeu-lhe esse poder.
Por isso ele é um Ser capaz
De matar o irmão, para viver.

No mundo há estas contradições,
A que o homem podia por termo,
Se não tivesse estas ambições:

Dominar povos e nações,
Que também querem ser livres,
E viver sem amarras nem grilhões.


                      João de Deus Rodrigues.
 
                            Lisboa, Abril de 1976