domingo, 9 de junho de 2019

VIVA PORTUGAL

10 de Junho dia de Portugal.

Vens de longe e tens no peito um passado,
Cheio de esperança, lutas, missas e glória.
De quantos, com bravura, fizeram a história,
E agora repousam no teu chão sagrado.

Homens e mulheres, marinheiros e poetas,
Zarparam do teu solo para vencer o mar,
Em frágeis barcaças que o vento fez voar,
Num mundo desconhecido, de portas abertas,

Para dizerem a outras gentes, a outras raças,
Que traziam com eles não só a cruz de Cristo,
Mas também afiadas espadas nas barcaças.

Quando aportavam noutros portos, em outros cais,
Onde semearam crenças e genes sem igual,
Aqueles que fizeram de ti este glorioso Portugal.

In Livro “Memórias e Divagações” . Poética Edições

sábado, 4 de maio de 2019

AMANHÃ, PRIMEIRO DOMINGO DE MAIO, É O DIA DA MÃE.

A TODAS AS MÃES DO MUNDO OFEREÇO ESTE POEMA QUE DEDIQUEI Á MINHA MÃE, QUANDO AINDA A TINHA AO MEU LADO.


Poemas para a minha Mãe



Mãe, se eu fosse pintor,
E soubesse pintar,
Pintava-te numa folha de papel.
Utilizaria espátulas, penas, dedos,
E as cores mais belas,
E macios pincéis,
Para não ferir a tua pele.


O teu retrato seria leve como o vento,
E fluente como a luz.
E os teus olhos, como eram,
Ficariam lindos, cheios de amor.


Seria o retrato que os Mestres
Teriam pena de não ter pintado,
E os vindouros não saberiam fazer igual.
Serias tu, minha mãe, como eras, tal e qual.


E não lhe punha qualquer moldura,
Para não o adulterar.
E depois de pronto,
Pendurava-o no meu peito,
Junto a ti, no seu lugar.


…E se eu fosse poeta?

Ah!, se eu fosse poeta,
Minha mãe,
E soubesse escrever um poema,
Escrevia-o para ti.
Seria um poema cheio de cor e melodia,
Onde cantaria como és linda,
E quanto gosto de ti.

Seria o poema mais belo,
Na face da Terra e do Céu.
E depois, encostado ao teu peito,
Recitava-to em voz baixa,
Em solene harmonia.
E pronto, dava-to, era teu,
Era a minha alegria.

In Livro “ O Acordar das emoções” – Tartaruga Editora.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Ode ao trabalho


Bem cedo aprendi,
Que o trabalho dignifica,
Todo aquele que o pratica,
Sem querer o proveito só para si.

E que, pelo contrário,
Partilha a sua arte e saber,
Com todos os que o acompanham:
Seja o engenheiro,
traçando projectos no papel.
Seja o operário,
vergando o ferro para construir uma “Torre de Babel”...;
Seja o doutor,
transpirando para aplacar a dor ao paciente;
Seja o cavador,
cavando a terra e cobrindo a semente;
Seja a dona de casa,
limpando o pó que entra pela janela;
Seja a parteira,
segurando uma criança alheia, como se fosse dela;
Seja o ferreiro,
temperando o ferro com um chifre de carneiro;
Seja o arquitecto,
a imaginar o mundo debaixo de um tecto...;
Seja o moleiro,
a picar a mó alveira com um toque certeiro;
Seja a tecelã,
urdindo teias de linho e de lã;
Seja o sapateiro,
a imaginar-se a fazer sapatos para calçar o mundo inteiro;
Seja o jardineiro,
a tratar do jardim o dia inteiro;
Seja o compositor,
a compor a música de um poema de amor...

Enfim, seja ele quem for.
Desde que trabalhe com a firme ideia,
Que não come o suor de mão alheia!

Porque todos devem saber,
Que o trabalho em cadeia,
Vence a “fera” que o rodeia.
Porque esta, qual camaleão,
Espera sempre a ocasião
De se apoderar do rendimento do trabalho.
Seja ele intelectual, doméstico, científico ou braçal,
Que faz avançar o mundo real.

E que tem início no trabalho de parto das mães,
Para trazerem a este mundo, que não querem imundo,
As crianças que são a coisa primordial,
Que faz mover o mundo real.

Mundo onde devem crescer e brincar,
Livres da escravidão de quem as quer utilizar.
Seja no Bangladesh, na Índia, na África, ou no Paquistão...
Para manufacturarem objectos de marca, de duvidosa criação,
Exibidos por “simpáticos” americanos, asiáticos e europeus,
Como sendo trabalhos seus…
Em “passerelles”, da moda circular,
Onde desfilam jovens que lembram anoréticos,
Com movimentos ensaiados e moldados,
Bambaleando os corpos, frágeis e esqueléticos,
Num bailado de sedução.
Na presença de senhores que lá estão a aplaudi-los,
Para depois os impingirem à sociedade
Do consumo, da opulência e da servidão.
Onde se movem quantos se alimentam, até à saciedade,
Do suor de quem trabalha para comer o pão.

Sem se darem ao cuidado de pensar,
No quão gratificante é trabalhar nos campos.
Onde se criam os alimentos com que se vão banquetear…

E nem se lembrarem dos que labutam no mar,
Em noites sem sono e sem luar,
Para trazerem para terra o sustento de novos e anciãos,
Que os esperam nas aldeias e nas cidades.
Que homens construíram, com pedras da lua,
E diligentes canteiros esculpiram, para enfeitar a rua
Onde nasceram os seus antepassados.
Que se finaram, velhos e cansados, de tanto labutarem,
Para exemplo dos vindouros. Que os recordam com emoção,
Porque lhes ensinaram a amar o trabalho, o criador e a criação!

Esta trilogia tão gratificante,
Para os que procuram viver sem explorar o seu semelhante.
Como faz o ceifeiro, quando ceifa o pão
Que o lavrador semeou em solos pobres e de aluvião.
Onde germinam frutos e sementes,
De árvores com sombras dolentes,
Para oferecer ao viandante dos caminhos,
Quando descansa junto à fonte, com pergaminhos,
Construída por humilde pedreiro,
Que não teve só em mente,
O “deus-dinheiro”.

   In Livro” Memórias e Divagações” – Poética Editora

domingo, 14 de abril de 2019

A visita Pascal na aldeia de Morais


  


Os sinos tocam todo o santo dia,
Dlim, dlão…, dlim, dlão...
E as pessoas em romaria,
Com o seu fato domingueiro,
Ao lado do padre e do sacristão,
Subindo e descendo escadas,
Parecem um formigueiro...

E os sinos continuam a tocar,
Dlim, dlão…, dlim,  dlão...
E os habitantes pelas ruas,
Em constantes correrias,
Subindo e descendo escadas,
Para irem beijar o Senhor,
Louvando a Ressurreição.

Enquanto repicam os sinos:
Dlim, dlão…,  dlim, dlão...
E as portas estão abertas,
Para quem quiser entrar,
Para saudar o visitado:
Boas festas da Ressurreição,
Aqui lhe viemos dar.

E lestos os acólitos,
Guardam todas as ofertas,
Colocadas sobre as mesas,
Que os paroquianos dão
Em todas as casas abertas,
Para o senhor padre João.   

E em frente das casas,
A garotada não pára de gritar:
Folar…, folar…, folar,
Queremos o folar.
E só param a gritaria,
Quando os rebuçados vêm no ar,
Para eles os apanhar

E no fim do dia, uns lúcidos,
Outros com um copito a mais,
Os sinos deixam de tocar.
E o padre e os paroquianos,
Regressam ao doce lar.
E assim finda a Visita Pascal,
Na minha aldeia de Morais.
            João de Deus Rodrigues

In Livro:"O Clamor dos Campos" - Colibri- Edições