terça-feira, 26 de dezembro de 2017

UMA SÚPLICA A 2018





Ano Novo, meu amigo,
Não passes depressa,
Que me levas contigo.
E dá-me o que te peço,
A mim e a toda a gente:
Saúde e paz, amor e alegria,
Honestidade e inteligência,
E o pão nosso de cada dia.

E traz-nos o calor do sol;
O cintilar das estrelas;
A bênção salvífica da água;
O murmúrio das fontes;
O trino do rouxinol;
O cheiro dos montes;
Os campos de trigo,
E o abraço do amigo!

E fazei, também,
Com que os frutos da terra,
E os peixes do mar,
Sejam divididos,
Com justiça e equidade,
Por todas as pessoas da Cidade.
Sem ter em conta a cor,
O sexo, o credo, ou a idade.

E finalmente,
Protegei todas as crianças.
E livrai-nos da fome,
Da peste e da guerra.
Para que haja Paz,
Pão e Esperança,
Nas casas de toda a gente,
Que habita na Terra.

           DESEJO A TODOS BOM ANO NOVO, 2018

                                         João de Deus Rodrigues

                                       

domingo, 3 de dezembro de 2017

Não gosto do Pai Natal...


 
Não gosto do pai natal,
Ponto final.

Mas não gosto do pai natal,
Por ele ser um cavalheiro barrigudo,
Com barbas brancas e um saco encarnado ao ombro,
Onde finge que leva brinquedos para dar às crianças,
Com aquele ar bonacheirão, no seu:
Hou!…, hou!…, hou!…
Quando vem no trenó, puxado por renas mansas,
A escorregar na neve até parar em frente
De um supermercado, apinhado de gente,
Com uma campainha na mão,
A acenar para crianças inocentes,
Com um olho nos pais, babados e contentes,
Convidando-os a entrar para comprarem uma pistola,
Ao rebento, com ar de mariola, ou um carro de combate
Que trepa pelas paredes, aos tiros, e não há quem o mate.

Não. Não é por isso que eu não gosto do pai natal.
É sim, porque vejo nele o produto acabado
De uma sociedade consumista, tal qual.
Que foi capaz de fazer esquecer o Presépio,
E o espírito, místico, do Natal.
Com o Menino Jesus deitado na palhinha,
No meio de Maria e de José, junto da vaca e da burrinha,
Para nos provar que Nasceu para nos salvar.

Mas este mítico testemunho celestial,
Deixou de figurar nas montras iluminadas da cidade.
Onde outrora, velhos, novos e crianças, de qualquer idade,
Paravam para ver o Deus Menino que veio ao mundo,
Para nos anunciar o Amor a Paz e a Liberdade.
E agora anda tão esquecido, também por culpa da igreja,
Que quase se esqueceu do Presépio, e isso não é coisa que se veja!
Por isso, espero um dia não entrar numa igreja paroquial,
E ver no Presépio o Menino Jesus deitado, vestido de Pai Natal,
Quem sabe se triste e sozinho, a pensar:
Ó Minha Gente amada, olhai para Mim,
E não me Deixeis ficar aqui, assim vestido,
Porque Me apetece chorar, e isso não faz sentido!

   In Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga - Editora

       FELIZ NATAL - 2017

        João de Deus Rodrigues

    

 


O Natal da Minha Infância




Ah!, como era bela e natural,
A noite de Natal
Da minha infância.
Mesmo sem acalentar a esperança,
Que o Menino Jesus fosse à chaminé,
Para deixar brinquedos no meu sapatinho.
Porque, não havia chaminé,
Nem brinquedos,
Nem, muitas vezes,
Sapatinhos para pôr no pé.

Mas era o meu Natal de Amor,
E imaginário também.
Festejado junto de estábulos,
Como os de Belém,
Onde não faltavam animais,
Mansinhos e leais,
Nem pastores e Reis Magos,
Nas canções da minha mãe,
Que me cantava com afago,
Junto da lareira,
Onde o fogo crepitava,
E eu me sentia bem:

“ Olá, meu Menino/Como Tendes passado/
Só para Vos ver/Deixei o meu gado...”

Na presença da luz difusa de uma candeia,
E a escutar a cadência dos bailados
Dos farrapos de neve
Que caíam silenciosos nos telhados,
Como se fossem, tal qual,
Anjos vestidos de branco, como em Belém,
Embalados pelas canções de Natal,
Cantadas pela minha mãe.

  FELIZ NATAL - 2017 

            João de Deus Rodrigues            

In Livro” O Acordar das Emoções” – Tartaruga Editora